A gestão da PED (Penitenciária Estadual de Dourados), na cidade a 251 quilômetros de Campo Grande, é alvo de denúncia por suposto favorecimento aos irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Enquanto a unidade prisional, considerada a maior de Mato Grosso do Sul, convive com superlotação, os dois estariam ocupando sozinhos uma das celas que teria capacidade de mais detentos. Segundo informações repassadas ao Campo Grande News , antes de irem para a cela onde estão, os irmãos também teriam permanecido no Raio IV, ala voltada ao atendimento de saúde da PED, mesmo sem apresentar quadro clínico que justificasse a permanência. A movimentação gerou questionamentos na própria estrutura hierárquica da penitenciária até que eles fossem transferidos para o novo alojamento. Procurada pela reportagem, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) confirmou a permanência dos dois no local isolado, mas negou privilégios. Segundo o órgão, os custodiados estavam anteriormente em cela de convívio com outros presos e foram isolados na Cadeia Linear após nova classificação de risco, por conta das últimas operações policiais envolvendo seus familiares. “A medida integra estratégias de segurança orgânica e critérios operacionais da unidade para prevenir riscos e manter a ordem no ambiente prisional”, disse em nota. "Clã Razuk" Os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk foram presos em 25 de novembro de 2025, durante a 4ª fase da Operação Successione. Na mesma ofensiva, também foi detido o pai deles, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, em casa, em Dourados. Na ocasião, Neno não foi alvo da ordem de prisão porque ainda exercia mandato parlamentar e tinha foro privilegiado. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o pai, Roberto Razuk, e os filhos Jorge e Rafael formariam o chamado núcleo duro de uma organização criminosa ligada à exploração de jogos de azar. A Operação Successione apurou, ainda, suspeitas de roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. As defesas negam a existência da organização criminosa e afirmam que as acusações serão contestadas na Justiça. As investigações indicam que o grupo não estaria limitado às tradicionais bancas do jogo do bicho. Conversas analisadas pelo Gaeco mostrariam o interesse em testar um sistema híbrido de apostas, chamado de “jogo do bichinho”, que funcionaria presencialmente e pela internet, em máquinas semelhantes às utilizadas para pagamentos com cartão. Um dos sistemas permitiria sorteios a cada cinco minutos. Os diálogos também apontariam planos de expansão para o Paraguai. Segundo a denúncia, um áudio compartilhado por Rafael Razuk tratava da possibilidade de financiar a exploração de uma modalidade semelhante ao jogo do bicho em território paraguaio, por meio da aquisição de uma empresa licenciada. Para os promotores, a conversa demonstraria a intenção de aproveitar no exterior a experiência adquirida pelo grupo na atividade clandestina no Brasil. A 4ª fase da operação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de cidades do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Foram apreendidos documentos, celulares, armas, munições, máquinas usadas nos jogos, cheques, moedas estrangeiras e R$ 274,9 mil em dinheiro. De acordo com o Gaeco, o material indicaria a existência de uma estrutura com divisão de funções, controle financeiro e estratégias de expansão. A investigação também cita a apreensão de mais de 700 máquinas de apostas e documentos sobre a compra de bens móveis e imóveis em nome de terceiros, supostamente utilizados para ocultar a origem de recursos. O pai, Roberto Razuk, também foi detido, mas cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde. Já Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, foi capturado no dia 2 de agosto deste ano na Bolívia.


