Após 50 anos, Higa registra nova memória do Autocine da UFMS

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O tempo pareceu fazer uma curva na noite de sexta-feira (25), quando o Autocine da UFMS voltou a iluminar a tela ao ar livre depois de anos distante do público. Entre cadeiras de praia, bancos improvisados e olhares curiosos, a retomada do espaço reuniu passado e presente em uma mesma fotografia, justamente pelas mãos de quem já havia registrado seu primeiro capítulo. Roberto Higa estava lá novamente. O fotógrafo que guardou em imagem a inauguração do Autocine, em 1970, retornou mais de cinco décadas depois para acompanhar a nova fase do projeto e, como não poderia ser diferente, levou sua câmera para transformar a noite em memória. Desta vez, porém, não era apenas o espaço que estava sendo fotografado, mas as pessoas que ajudaram a escrever a retomada. A presença de Higa ganhou ainda mais significado durante a exibição de “Higa Ke – Olho por Olho”, filme que revisita sua trajetória e o olhar construído ao longo de mais de 40 anos acompanhando as mudanças de Campo Grande. Ao lado da esposa Sandra Higa, da filha Mariana Higa e dos netos, o fotógrafo viveu a noite como personagem e testemunha. Antes de guardar a câmera, reuniu o público para um registro coletivo, repetindo um gesto que atravessa sua carreira: transformar encontros, lugares e pessoas em pedaços permanentes da história da cidade. Acompanhando de perto a homenagem ao marido durante a retomada do Autocine da UFMS, Sandra Higa, de 66 anos, técnica de enfermagem aposentada, falou sobre a emoção de ver a trajetória de Roberto Higa transformada em filme. Ao lado da família, ela destacou a importância de mostrar ao público o trabalho construído pelo fotógrafo ao longo de décadas, registrando histórias e mudanças de Mato Grosso do Sul. Após mais de cinco décadas desde a inauguração do Autocine, Roberto Higa destacou a emoção de voltar ao espaço onde registrou um dos primeiros capítulos da história do local. Para o fotógrafo, estar novamente naquele cenário teve um significado especial, principalmente por acompanhar a retomada de uma iniciativa que também faz parte da memória cultural de Campo Grande. Homenagens – O empresário e cineasta Conrado Roel, de 47 anos, encontrou no retorno do Autocine da UFMS um cenário simbólico para apresentar uma obra construída a partir das memórias de Campo Grande. Para ele, o espaço, que marcou uma época da cidade, funciona como uma espécie de ponto de encontro entre passado e presente, reunindo histórias que ajudam a compreender a formação cultural do município. Segundo Conrado, o filme nasceu da busca por elementos que ajudassem a montar um retrato da cidade e das pessoas que participaram dessa construção. O Autocine aparece como uma dessas peças, assim como outros símbolos urbanos que atravessaram décadas e ajudaram a formar o imaginário de uma geração que cresceu em Campo Grande. “Esse lugar tem uma vocação para olhar para a memória e para a história. O Autocine é um desses elementos que compõem a paisagem dos anos 60 e 70 da cidade. Investigar essas histórias foi uma das coisas mais importantes que eu já fiz, porque comecei a entender melhor algumas partes da minha própria trajetória e do lugar onde cresci”, afirmou. Na visão do realizador, Roberto Higa representa esse elo entre fotografia, identidade e memória. A presença do fotógrafo na noite de retomada do espaço, acompanhado da família, reforçou o significado da homenagem. “O Higa viveu isso de uma forma muito autêntica. Ele é uma figura que representa esse olhar sobre a história de Campo Grande, e poder compartilhar esse momento com ele tornou tudo ainda mais especial”, completou. Acompanhando de perto a homenagem ao marido durante a retomada do Autocine da UFMS, Sandra Higa, de 66 anos, técnica de enfermagem aposentada, falou sobre a emoção de ver a trajetória de Roberto Higa transformada em filme. Ao lado da família, ela destacou a importância de mostrar ao público o trabalho construído pelo fotógrafo ao longo de décadas, registrando histórias e mudanças de Mato Grosso do Sul. “Essa homenagem é maravilhosa, porque não tem coisa melhor do que mostrar a vida do Higa e tudo que ele fez por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O Corrado acertou em cheio ao fazer esse filme, estamos muito felizes. Ele sempre fala que não quer ninguém triste. Até já pensou no próprio velório e disse que quer música, alegria e tudo aquilo que fazia parte da vida dele, do jeito que ele gostava de celebrar”, contou Sandra. A programação teve início às 17h, com apresentação dos Alquimistas. Na sequência, às 18h, foi a vez dos Pilotos do Oeste subirem ao palco. Após o filme de Higa, o curta “Jardim de Pedra – Vida e Morte de Glauce Rocha” foi exibido. Além das exibições cinematográficas e das apresentações musicais, o evento contou com uma feira cultural que reuniu produtos locais, artesanato e artigos do universo geek. Apresentações de DJs encerraram a noite. A UFMS pretende realizar novas edições do projeto e ouvir a comunidade para definir os próximos usos do espaço. O que ficou do Autocine – Criado em 1972, o Autocine de Campo Grande funcionou até 1989 e se tornou uma das principais opções de lazer da cidade. O local contava com vagas para veículos, arquibancadas para pedestres, lanchonete, sala de projeção e sistema de som distribuído pelo pátio. Mais de 3 décadas após o encerramento das atividades, o espaço voltou a receber sessões de cinema temporariamente em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando foi usado em formato drive-in. A cineasta e pesquisadora Marinete Pinheiro relembrou a importância histórica do Autocine da UFMS e destacou o simbolismo de manter o espaço vivo mesmo após as mudanças na estrutura original. Para ela, a retomada representa uma oportunidade de preservar um pedaço da memória cultural de Campo Grande e aproximar novamente a comunidade da experiência cinematográfica ao ar livre. “Na pandemia, o Autocine voltou a ser uma opção de lazer e foi uma experiência muito mágica. Eu mesma exibi ‘A Dama do Rasqueado’ lá e tinha apenas os relatos de como era assistir a um filme dentro do carro. Quando vi que o espaço seria transformado, fiquei preocupada, mas saber que a universidade manteria o telão trouxe um alívio. Mesmo não sendo mais um autocine tradicional, continua sendo um cinema com uma força simbólica enorme”, afirmou. Para Marinete, o local pode se transformar em um espaço permanente de valorização da produção audiovisual sul-mato-grossense e da história dos cinemas de rua. Ela defende que a programação contemple diferentes públicos e preserve o vínculo do espaço com a identidade da cidade. “Campo Grande perdeu muitos lugares ligados ao cinema de rua, e o Autocine tem uma história única. A universidade tem a possibilidade de preservar esse patrimônio e fazer com que as pessoas continuem usufruindo desse lugar. É um espaço fascinante, que carrega memória, mas também pode olhar para o futuro, exibindo produções daqui e mantendo viva essa relação com a comunidade”, finalizou.

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