O que começou como uma viagem de volta de Buenos Aires se transformou em uma missão sobre rodas. O empresário paulista, acompanhado da esposa Érica de Barros e Silva Araújo, decidiu encarar uma jornada para mostrar que carros elétricos também podem percorrer longas distâncias e enfrentar diferentes tipos de estrada. A dupla passou por Campo Grande durante uma expedição que pretende percorrer cerca de 24 mil quilômetros pelo Brasil, atravessando todas as capitais do País. A viagem é uma continuação de um desafio iniciado no ano anterior, quando eles rodaram por 6 países da América do Sul, passando por Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Equador, até chegar a Quito. Segundo Maurício, a ideia nasceu após ouvir repetidamente que veículos elétricos seriam limitados apenas ao uso urbano. A experiência internacional serviu como prova de que a tecnologia poderia ir além, mas também revelou a necessidade de observar como está a estrutura de carregamento disponível para os motoristas. “Nós estamos na mobilidade elétrica há quatro anos e tivemos a ideia de fazer uma viagem até Buenos Aires. Na volta, de tanto ouvir pessoas falando que não era possível viajar de carro elétrico, que carro elétrico era só para área urbana, resolvemos fazer a maior viagem de carro elétrico da América Latina. No ano passado, rodamos seis países e agora a ideia é mostrar para a sociedade que é possível viajar com um carro 100% elétrico e também testar a infraestrutura de carregamento pelo Brasil”, contou. A atual expedição ainda está no começo. O casal saiu de São Paulo (SP), passou por cidades do Sul do país e chegou ao extremo sul brasileiro antes de iniciar a subida em direção ao Centro-Oeste. Depois de Campo Grande, o roteiro prevê passagens por Cuiabá (MT), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e uma etapa considerada mais desafiadora pela Transamazônica, seguindo até Manaus (AM), Boa Vista (RR) e a fronteira com a Venezuela. Para Érica, que antes da relação com Maurício tinha um perfil mais tranquilo e menos ligado a viagens, a experiência mudou completamente sua rotina. Ela conta que passou a enxergar a estrada de outra forma ao acompanhar o marido nas aventuras. “Eu era mais quietinha, quase não viajava. Aí encontrei, casei com esse aventureiro aqui e estou junto com ele, desbravando vários países e agora o Brasil. Este ano a gente está focando aqui justamente para mostrar a infraestrutura de carregamento e continuar essa missão de desmistificar que não é possível viajar de carro elétrico”, afirmou. Durante a primeira grande viagem internacional, o casal encontrou paisagens inesperadas, mudanças de rota e situações que transformaram o percurso em uma experiência além da mobilidade. Entre os momentos marcantes estiveram passagens por áreas com neve, regiões rurais e reservas indígenas no Equador. “Foi surreal. O Maurício sempre teve essa veia de aventura, de viagens. A gente passou por lugares com neve, vimos muitos animais e tivemos situações que não estavam previstas. Uma tempestade no Equador fez a gente mudar a rota e conhecer lugares que talvez nunca conheceríamos normalmente”, relembrou Érica. Mais do que testar a tecnologia, a viagem também virou uma coleção de histórias pelo caminho. Durante o percurso pela América do Sul, Maurício e Érica encontraram paisagens inesperadas, animais, mudanças de rota e experiências que dificilmente entrariam em um roteiro tradicional. Entre os momentos marcantes, eles passaram por regiões com neve, áreas rurais e comunidades indígenas no Equador, depois que uma tempestade obrigou o casal a alterar o trajeto planejado. “Foi surreal. A gente viu de tudo. Teve lhamas, coelhos, muitos animais, mas o mais bonito foram as paisagens. Passamos por lugares com neve e, no Equador, uma tempestade fez a gente mudar a rota e conhecer áreas que normalmente não conheceríamos, passando por regiões rurais e dentro de reservas indígenas”, contou Érica. Na estrada brasileira, o casal também encara os desafios de uma expedição de longa duração, principalmente quando o assunto é planejamento e recarga. A viagem exige atenção aos pontos disponíveis para abastecimento elétrico, mas Maurício afirma que justamente essas dificuldades fazem parte do objetivo da jornada: mostrar, na prática, como é usar um carro elétrico fora dos grandes centros. “Cada lugar traz uma experiência diferente. A gente vai conhecendo as pessoas, entendendo a cultura de cada região e vendo como a infraestrutura está evoluindo. A ideia é mostrar que é possível viajar com um carro elétrico e que muita coisa ainda está sendo construída nesse caminho”, afirmou. Além da viagem pessoal, Maurício também aproveita o percurso para divulgar informações sobre mobilidade elétrica. Ele é diretor da AbraVe (Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores), entidade que atua em discussões relacionadas ao uso e à expansão dos veículos elétricos no País. Durante a jornada, ele entrega homenagens a pessoas que contribuíram para o crescimento desse mercado. Na avaliação dele, a expansão dos carros elétricos no Brasil tem ocorrido principalmente pela iniciativa de empreendedores que investem na criação de pontos de recarga. Como exemplo, citou a atuação de proprietários que decidiram instalar eletropostos após perceberem a necessidade de ampliar a rede. “O que ficou muito claro é que o Brasil tem um desenvolvimento muito forte por conta dos empreendedores individuais. Muitas pessoas compraram um carro elétrico, perceberam que faltavam carregadores e começaram a investir nisso. É essa iniciativa privada que está ajudando a construir essa evolução da mobilidade sustentável”, explicou. Sobre rodas elétricas – Para Maurício, parte da resistência aos veículos elétricos ainda está ligada à falta de informação. Ele afirma que muitos dos receios sobre autonomia e viagens de longa distância são baseados em opiniões de quem nunca usou a tecnologia na prática. “Eu acho que é falta de informação. Muitas pessoas escutam algo, repetem e acabam formando uma opinião sem conhecer. A dica é procurar quem tem carro elétrico, quem usa e quem viaja com ele. Não adianta perguntar para alguém que ouviu falar, mas nunca teve a experiência”, disse. A escolha do veículo veio justamente da proposta de provar que um automóvel 100% elétrico não está limitado aos trajetos urbanos. Depois de uma viagem anterior pela América do Sul, quando rodaram mais de 18 mil quilômetros por 6 países, o casal decidiu ampliar o desafio e observar também como está a estrutura de recarga no território brasileiro. Segundo Maurício, a experiência na estrada mostrou que o carro entrega conforto mesmo em longas distâncias. Ele destaca que o silêncio do motor, a resposta rápida e a estabilidade são algumas das características que mais chamam atenção durante os deslocamentos. “O carro elétrico é uma delícia de viajar. Primeiro pelo silêncio e depois pela resposta do motor, que é instantânea. As ultrapassagens são muito mais seguras, a estabilidade do carro elétrico é muito maior e, sem contar, tem a economia de combustível. Rodar com um carro elétrico é muito mais barato nesse aspecto”, afirmou. Durante a expedição, um dos principais pontos de atenção é o planejamento dos trajetos para encontrar locais de recarga. Para isso, o casal usa aplicativos que mostram a localização dos carregadores e permitem acompanhar informações compartilhadas por outros motoristas sobre o funcionamento dos equipamentos. “Hoje nós temos aplicativos que mostram todos os pontos de carregamento. Os próprios usuários alimentam essas informações, colocam fotos, avaliam se o carregador está bom ou se tem algum problema. É uma rede colaborativa que ajuda muito quem está viajando”, explicou Maurício. O empresário afirma que o veículo usado na viagem possui bateria com autonomia média de 430 quilômetros, tração integral e diversos sistemas de assistência ao motorista. Entre os recursos citados estão controle de tração, manutenção automática na faixa e frenagem de emergência. Com previsão de durar cerca de 45 dias, a viagem segue sem roteiro fácil, principalmente pelas regiões mais remotas do país. Para o casal, porém, o objetivo vai além de completar quilômetros: é mostrar que a tecnologia está mudando a relação das pessoas com os caminhos e com a própria ideia de viajar. O plano do casal é passar por todas as capitais brasileiras, registrar a experiência em cada região e conhecer pontos que representem a cultura e a identidade de cada cidade. Para Maurício, a viagem é uma forma de documentar não apenas a evolução da mobilidade elétrica, mas também as diferentes realidades encontradas pelas estradas do país. “Em cada capital a gente quer fazer um registro, visitar algum ponto que represente aquele lugar e mostrar um pouco dessa experiência. A ideia é continuar essa jornada, conhecer as pessoas, entender como está a infraestrutura e levar essa mensagem de que o carro elétrico pode estar presente também nas grandes viagens”, finaliza Maurício.

