Candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo DC (Democracia Cristã), o economista Renato Gomes, de 40 anos, defende uma mudança na cobrança de impostos estaduais para reduzir o peso dos tributos sobre produtos essenciais e aumentar a contribuição de pessoas com maior renda e patrimônio. Em entrevista ao Campo Grande News , Renato afirmou que pretende construir uma candidatura distante da polarização entre esquerda e direita. Embora mantenha posições conservadoras no campo pessoal e religioso, ele apresenta propostas econômicas normalmente associadas a setores progressistas, como maior tributação sobre grandes patrimônios, heranças e produtos de luxo. A minha pauta política e econômica é uma pauta da progressividade tributária. Altas rendas e altos patrimônios precisam contribuir com esse condomínio que se chama Mato Grosso do Sul”, afirmou. Entre as propostas apresentadas está a redução da carga tributária sobre gás de cozinha, combustíveis e alimentos da cesta básica. O candidato também defendeu que veículos de luxo e grandes transmissões de patrimônio sejam mais tributados. Segundo Gomes, a atual estrutura pesa proporcionalmente mais sobre os consumidores de menor renda. Ele citou como exemplo a cobrança de impostos sobre a gasolina e o gás de cozinha, produtos que fazem parte das despesas mensais das famílias. “Não cabe ir para cima do gás de cozinha e da cesta básica enquanto um carro de luxo recebe tratamento tributário menor”, disse. Energia, água e alimentos – Renato também propõe medidas para reduzir o custo da energia elétrica e ampliar as alternativas de geração. Ele criticou a concentração do serviço de distribuição e defendeu maior diversificação das fontes disponíveis aos consumidores. Outra proposta é facilitar a perfuração de poços artesianos em imóveis e comunidades, desde que exista fiscalização sobre as condições sanitárias e o volume de água captado. Atualmente, a abertura e a operação desses poços dependem de autorização ambiental e do cumprimento de regras para preservar os aquíferos. Na agricultura, o candidato defende maior incentivo à produção de alimentos destinados ao mercado interno. Para Renato, o Estado concentra sua política agrícola em grandes culturas voltadas à exportação, enquanto parte dos alimentos consumidos pela população vem de outras regiões. Ele sustenta que uma produção mais diversificada poderia ajudar a reduzir o preço da cesta básica e criar oportunidades para pequenas propriedades. A proposta, entretanto, ainda precisa ser acompanhada de metas, orçamento e instrumentos concretos de execução. Supersalários – Outro ponto defendido pelo economista é a revisão de vantagens pagas a servidores que recebem acima da remuneração do governador. Renato afirma ter identificado, por meio de planilhas do Portal da Transparência, aproximadamente 2,8 mil pagamentos mensais acima desse valor. Segundo o candidato, a soma anual chegaria a R$ 2 bilhões, recursos que poderiam ser destinados à saúde e a outros serviços públicos. Os números apresentados por ele não foram verificados de forma independente pelo Campo Grande News . Além disso, nem todo pagamento acima do teto pode ser cortado diretamente pelo governador. Verbas indenizatórias, decisões judiciais, acumulações permitidas e remunerações de outros Poderes seguem regras próprias. Por isso, a economia efetiva dependeria de uma análise individual dos pagamentos e das competências legais do Executivo. Renato também defendeu um programa de renegociação para retirar veículos apreendidos dos pátios do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul). Ele falou em anistiar parte das cobranças de até 80% dos veículos retidos, mas não detalhou os critérios do programa. Fora dos polos – Apesar de sua formação conservadora e da ligação com o catolicismo, Renato diz não se considerar um candidato de direita nem de esquerda. Para ele, a polarização nacional tem afastado o debate político dos problemas locais. O meu posicionamento político é o do meio do caminho, o da moderação entre esses dois campos”, declarou. O candidato afirmou que a direita erra ao tratar os interesses do capital como prioridade absoluta, enquanto setores da esquerda, segundo ele, demonstram pouco respeito pela propriedade privada e apresentam contradições entre o discurso e a atuação política. Renato também fez críticas ao bolsonarismo. Na avaliação dele, a transformação de Jair Bolsonaro em objeto de “idolatria” prejudicou o debate público. O candidato afirmou ainda que o escritor Olavo de Carvalho contribuiu para sua aproximação com o catolicismo, mas também ajudou a aprofundar a divisão política do país. “Ele me ajudou muito mais na compreensão do catolicismo do que em uma correta compreensão política”, disse. Empresário e católico – Nascido em Campo Grande, Renato Gomes deixou a Capital aos 17 anos. Formou-se em Economia pela FGV (Fundação Getulio Vargas), no Rio de Janeiro, iniciou mestrado em Matemática e trabalhou no Instituto Brasileiro de Economia e no Centro de Políticas Sociais. Depois, atuou no banco BTG Pactual, no Rio de Janeiro e em Brasília, atendendo clientes de alta renda e empresários. Há aproximadamente dez anos, retornou a Campo Grande e passou a trabalhar em um escritório familiar que presta serviços contábeis e empresariais. Renato afirma que a experiência com centenas de empresas lhe deu conhecimento para administrar o Estado. Sua entrada na política, segundo ele, ocorreu depois de tentativas frustradas de apresentar suas ideias a integrantes do poder público. Casado e pai de uma menina de 1 ano e 1 mês, o candidato contou que se converteu ao catolicismo há cerca de seis anos. Segundo ele, a mudança religiosa alterou sua visão sobre economia e reforçou a preocupação com as camadas mais pobres da população. Entre as influências mencionadas estão o bispo norte-americano Fulton Sheen, o economista Paulo Kogos e Olavo de Carvalho. Renato afirma que sua fé passou a orientar a defesa de medidas econômicas voltadas à população de menor renda. Ao tentar conciliar conservadorismo religioso, crítica ao bolsonarismo e propostas de tributação progressiva, o candidato aposta em uma identidade fora dos grupos políticos tradicionais. O desafio será transformar esse conjunto de ideias em propostas detalhadas, com valores, prazos e caminhos legais para execução.

