Mais de seis anos depois de Gleison da Silva Abreu, de 25 anos, ser encontrado morto entre as pedras da Cachoeira do Inferninho, em Campo Grande, Leandro Pereira Florenciano irá a júri popular pelo crime. A acusação sustenta que ele lançou o rapaz de um precipício de cerca de 28 metros para esconder um golpe envolvendo falsos investimentos. A defesa nega que Leandro tenha cometido o homicídio, mas a Justiça manteve o julgamento após barrar um recurso apresentado pela defesa, conforme divulgado esta semana pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Gleison desapareceu em 30 de abril de 2020. Segundo informações publicadas à época pelo Campo Grande News , ele saiu de casa de motocicleta e foi visto conversando com dois homens naquela tarde. No dia seguinte, um grupo que praticava rapel encontrou seu corpo na cachoeira, na saída para Rochedo. A moto não estava no local. Na denúncia apresentada à Justiça, o MP afirma que Leandro atraía Gleison com a promessa de ganhos estratosféricos em investimentos. O rapaz havia empregado R$ 16 mil no “negócio” e esperava receber o retorno do dinheiro entre o fim de abril e o início de maio de 2020. Para a acusação, a proximidade dessa cobrança motivou o assassinato. A denúncia diz que Leandro agiu com a ajuda de uma pessoa que não foi identificada. O Ministério Público acusa Leandro de homicídio duplamente qualificado porque Gleison não teve como se defender quando foi lançado do despenhadeiro e pelo fato de o crime ter sido cometido para “assegurar a impunidade da fraude financeira e reter o lucro obtido com o golpe”. Em 2021, quando Leandro e Agnaldo Freire de Mariz foram presos durante a investigação, a defesa de Leandro apresentou outra versão ao Campo Grande News . O advogado Gustavo Moura Scuarcialupi afirmou que o responsável pela queda teria sido Emerson Borcheidt, ex-marido de Leandro, encontrado morto com indícios de suicídio em uma quitinete no Bairro Zé Pereira logo após as prisões. Ainda conforme a acusação, dados de localização também contrariaram a versão de Leandro de que estaria em viagem a Várzea Grande, em Mato Grosso, na data do crime. A denúncia inclui Agnaldo e Leonardo Kammer da Silva, conhecido como “Léo do Pastel”, por favorecimento pessoal, e não pelo homicídio. Segundo o MPMS, os dois teriam ajudado Leandro a escapar da ação policial ao desmontar e ocultar a motocicleta da vítima. Leonardo morreu em julho do ano passado, conforme informado no processo. O julgamento de Leandro estava marcado para 23 de setembro, mas foi adiado a pedido da defesa, que comprovou ter outra audiência na mesma data. Em decisão de 2 de setembro, o juiz determinou que a sessão fosse remarcada para a próxima data disponível.

